Diálogos populares: debate virtual da Jornada Continental

Publicación original de Radio Mundo Real

A Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo vai realizar no dia 22 de setembro o debate ao vivo “Diálogos populares: unidade, democracia e vida para nossos povos”. O debate será transmitido  em sua página do Facebook  em espanhol, inglês e português, às 19h no Cone Sul, 16h na América Central.

“Será um momento para apresentar o acúmulo que construímos, nossa visão do que está acontecendo em nossa região, que vai além do agravamento causado pela pandemia de Covid-19″. É uma visão mais sistêmica da crise que estamos vivendo”, disse a feminista Tica Moreno, da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil, à Rádio Mundo Real.

A Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo é um processo de trabalho, luta e mobilização formado por numerosos movimentos e organizações sociais das Américas, nascida no final de 2015. Na seção “Quem somos” de sua página web lemos: “Somos povos organizados de diferentes expressões sociais: sindicatos, movimentos de mulheres, camponeses, ambientalistas, articulações e organizações regionais, como parte das iniciativas organizadas que desde décadas temos nos articulado em espaços de resistência, luta e construção de alternativas para e dos povos das Américas”.

O debate público da próxima terça-feira será uma espécie de conversa na qual participarão vários representantes de organizações populares que fazem parte da Jornada Continental. Além disso, durante a atividade, a Jornada lançará publicamente seu documento “Respostas e horizontes de construção conjunta diante da crise global desencadeada pelo neoliberalismo”. Também será apresentada a agenda comum de atividades e mobilizações para outubro e novembro.

Em entrevista à Rádio Mundo Real, Tica Moreno disse que o debate servirá para apresentar “uma perspectiva de luta e resistência”, além da análise profunda em termos sistêmicos da crise do neoliberalismo nas Américas. As muitas organizações e movimentos sociais da Jornada Continental estão planejando várias ações para outubro, de caráter anti-imperialista, contra a dívida e as instituições financeiras internacionais, assim como as atividades do encerramento da Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, entre outras. A Jornada Continental, como um processo que reúne estas articulações, se soma a estas agendas.

No debate, conta Tica, também serão para analisados alguns momentos políticos importantes na região durante este período. As eleições presidenciais nos Estados Unidos (3 de novembro) e na Bolívia (18 de outubro), e o referendo no Chile (25 de outubro) para decidir se a Constituição em vigor desde 1980, na ditadura de Pinochet, deve ser emendada e, em caso afirmativo, quem irá redigir a nova Constituição.

A Jornada Continental realiza atividades e mobilizações todos os anos, em novembro. Em alguns anos isso foi feito de forma centralizada, em um país pra onde todas as organizações e movimentos sociais que fazem parte do processo convergiram. Em outros, se optou por ações descentralizadas, nos vários países das Américas onde estas articulações se organizam. Será o caso este ano, na semana de mobilização que acontece de 16 a 19 de novembro.

A este respeito, Tica comenta: “É o momento de fortalecer e expandir nossa construção de unidade e força na luta, com nossa diversidade política, com respostas internacionalistas articuladas no continente”. “Na medida do possível, tentaremos recuperar a expressão de nossa luta nas ruas, de nossa mobilização, mantendo a distância nos lugares onde a pandemia o exige, mas também afirmando que este é nosso lugar para fazer política”, acrescentou Tica.

Lançamento do documento “Respostas e horizontes da construção conjunta diante da crise global desencadeada pelo neoliberalismo”

Quando perguntada sobre o trabalho a ser lançado pela Jornada Continental na próxima terça-feira, Tica destaca que o texto inclui “nossa visão sistêmica de que a pandemia desnudou a estrutura deste sistema e aprofundou a crise que o neoliberalismo vem promovendo em nosso continente”.

Nesse sentido, o trabalho apresenta elementos que caracterizam a situação nas Américas. “Por exemplo, o fato de que, apesar da situação pandêmica, a criminalização e a violência contra as lutadoras e lutadores sociais terem se intensificado muito em países como a Colômbia e Honduras.” Tica listou outros aspectos estruturais do continente americano: o endividamento que está recuperando força com a pandemia, as ações das empresas transnacionais, que se beneficiam da crise sanitária, e a violência racista, especialmente no Brasil e nos Estados Unidos.

O novo documento da Jornada Continental também mostra “que há disputas, que há maneiras diferentes de lidar com a crise e com a pandemia”, disse Tica. E nesse sentido apresenta “nossas respostas articuladas, o que construímos nos territórios a partir de cada movimento e organização, em termos de solidariedade, autodeterminação e organização popular, para enfrentar a crise, o autoritarismo e os ataques à democracia. que são ataques às condições de vida”, disse ele. “Para nós, como povos em movimento no continente, nossas respostas são fundamentais, porque delas retiramos a energia, a esperança de que ainda é possível ter um horizonte de transformação para outra sociedade”, explicou o ativista.

A representante da Marcha Mundial das Mulheres do Brasil acrescentou que o novo documento da Jornada Continental também apresenta a agenda de lutas, “um aspecto muito importante de nossa construção”. “Quando falamos de horizontes de transformação, que existem alternativas ao neoliberalismo, que existem possibilidades de construir uma superação do capitalismo, uma sociedade onde a vida esteja efetivamente no centro, com igualdade, justiça e solidariedade, isto não é apenas um discurso. É algo que se conecta com a construção de sujeitos políticos coletivos e à organização popular. Portanto, o documento também apela a uma luta comum, ao que já estamos construindo e ao que temos que construir.”

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